Yves Saint Laurent, Dior, Jean Paul Gaultier, Christian Lacroix, John Galliano, Kylie Minogue e Nan Kempner. Todos já ouviram falar de pelo menos dois destes nomes.
Se você já conhece e pretende conhecer mais profundamente, qual sua motivação para tal: a criatividade, a trajetória profissional e a competência de cada nome ou o imaginário icônico-simbólico que carregam? O desejo de nos sentirmos especiais e nos destacarmos da multidão nos guia para as migalhas desse universo mais possivelmente acessíveis para nosso status de membros da massa, da turba consumista com um padrão de pretenso refinamento médio burguês: os perfumes.
Latinos atavicamente conservadores e hipocritamente libertários que somos, não nos atrevemos a exibir nossos gostos mais peculiares e espontâneos em roupas menos convencionais (onde então caberiam as criações de alguns dos nomes citados no início deste artigo), temendo o olhar censor do outro.
Entretanto, ficamos ociosamente satisfeitos em borrifar em nossa pele o imaginário da fragrância daquela marca e, num efeito de corruptela, embarcamos inebriados na propina da venda ao balcão, num mundo de atitude através da moda, do visagismo, que admiramos embasbacados, porém jamais em público.
Para não ficarmos limitados a uma “viagem à roda do meu quarto” (em alusão à narrativa de Xaiver de Maistre, contada a partir dos objetos de um quarto) e admitirmos que vivenciar determinados gostos de moda em público é salutar, existem “cômodos” muito maiores dedicados ao assunto. Vários disponibilizam imagens em galerias virtuais e dedicam exposições às personalidades antes mencionadas. Entender como gostamos de nos mostrar em público e como os outros o fazem é um caminho para se conhecer melhor e, para isso, uma visita in loco a essas exposições é sempre mais que bem-vinda. Na falta “famoso tempo”, a visita virtual é um bom quebra-galho, mas requer considerável porção do nosso tempo convencional, pois as atrações e imagens são incontáveis e irresistivelmente sedutoras.
FRANÇA

Musée de la Mode et du Textile, Paris

Aberto em 1986 no Pavilion de Marsan, no Louvre, exibe até 23 de setembro figurinos criados por Jean Paul Gaultier para 18 espetáculos de balé coreografados por Régine Chopinot, de 1983 a 1994.
Modelos de Gaultier em alta costura também figuram na mostra. Mas este é apenas um dos motivos para visitar o museu. Sua coleção, com mais de 81.000 peças, entre amostras de tecido, acessórios e trajes, é comparável a outras poucas instituições do mesmo calibre, como o Costume Institute, em Nova York, e o Victoria & Albert Museum, em Londres.
Centre National du Costume de Scène, Paris

Sob a presidência de Christian Lacroix, inaugura em 3 de junho uma exposição homônima, um pedacinho do seu acervo de mais de 7.100 trajes e adereços advindos dos acervos da Biblioteca Nacional, da Ópera de Paris e da Comédie-Française. A exposição traz 150 trajes de balés, óperas e peças de teatro, de 1986 a 2006.
Musée des Tissus et des Arts Decoratifs, Lyon
Patrocinado pela Câmara de Comércio de Lyon, este museu tem coleções importantes de tecidos que abrangem desde os primeiros cristãos egípcios a ornamentos eclesiásticos do Ocidente, peças bizantinas e sedas persas. As coleções mais recentes, como do século XIX em diante, têm trabalhos de Sonia Delaunay e do pintor e artesão Raoul Dufy (cujas pinturas já estiveram em exposição no MAM de São Paulo).
Musée Galliera de la Mode de Paris
Inaugurado em 1977, tem cerca de 100.000 peças e acessórios, além de 50.000 estampas e fotografias. Seu acervo de trajes, que remonta ao século XVIII, está organizado por tipo de indumentária e ordem alfabética das grifes, que apareceram nos séculos posteriores. A relação com as demais artes criativas e visuais é evidente em exposições que retrataram, por exemplo, acessórios utilizados por Marlène Dietrich no cinema. Os textos das coleções são bastante didáticos para qualquer interessado em moda (como, por exemplo, o que discorre sobre moda infantil), e funcionam também como referência para estudos.
Fondation Pièrre Berger – Yves Saint Laurent, Paris
Aberta à visitação pública em março de 2004, a fundação tem por objetivo preservar 5.000 roupas de alta costura da grife, além de 15.000 acessórios, desenhos e outros objetos. A exposição atual retrata as roupas usadas por Nan Kempner, uma das primeiras fashionistas de que se tem notícia. Kempner, que faleceu em 2005, foi um verdadeiro manequim ambulante para a alta costura, principalmente a partir da década de 50, quando adquiriu seu primeiro modelito da Dior. Em sua carreira, chegou a ser correspondente para a Vogue Francesa, editora de moda da Harper’s Bazaar e representante internacional da Christie’s.
Musée Christian Dior, Granville
O que dizer da maison cuja criação há anos brilha nas mãos de John Galliano? Visitar este museu é conhecer um pouco da história da marca e seu criador.
ESTADOS UNIDOS
The Metropolitan Museum of Art, Nova York

Abriga o Costume Institute e o Antonio Ratti Textile Center, ambos fontes de referência para estudos de moda e tecelagem. Até março de 2007 homenageou também Nan Kempner, com uma exposição organizada pelo Costume Institute, que atualmente exibe boa parte das criações de Paul Poiret, que se auto-entitulava o “rei da moda”. Uma das idéias mais bacanas do portal é permitir que os internautas construam sua própria galeria de imagens das coleções on-line e um calendário de eventos personalizado, na seção My Met Museum. A foto abaixo mostra vestido em seda do século XIX, do acervo do Costume Institute.

The Black Fashion Museum, Washington D.C.

Fundado em 1979, está com seu site em fase de atualização. Com uma exposição itinerante, aborda a moda usada por negros no período de 1800 a 2000.
Tirocchi Dressmakers Project, Providence, Rhode Island

Trata-se de um projeto-exposição da Rhode Island School of Design, RISD, que resgatou o acervo da família Tirocchi, de imigrantes italianos, que fabricavam vestidos para a alta sociedade norte-americana, numa oficina de alta costura que funcionou de 1915 a 1947, na cidade de Providence. Não atinge a magnitude das coleções de grandes museus, mas provê curiosos e interessados com uma amostragem significativa de uma das primeiras grifes nos Estados Unidos, cujas criações tinham fortes ecos europeus. Na foto acima, peças de 1927 e 1930, mostrando respectivamente traços cubitas e neoclassicistas.
REINO UNIDO
Victoria & Albert Museum, Londres
Sua coleção de tecidos cobre um período de mais de 2.000 anos. Oferece no portal até uma ferramenta para que o internauta desenhe sua própria padronagem. Sua seção de moda e joalheria traz exposições on-line incríveis, sem falar nas atuais, onde figura uma dedicada a Kylie Minogue, cuja indumentária para shows inclui designers como Jimmy Choo, e outra chamada New York Fashion Now, que aborda os estilistas que criaram suas próprias marcas no período de 1999 a 2004. Nessa exposição, você pode compartilhar sua fotografia ou crônica de moda vivida em Nova York. Uma outra dica é a coleção on-line de moda e tecidos dos anos 60, de encher os olhos. Veja algumas fotos a seguir.


Fora do eixo Londres-Paris e longe dos Estados Unidos há outros museus dignos de nota. Aguarde o próximo artigo para indicações no Canadá e Bélgica!