por ADRIANA BONNARD
CAFÉ e BIJOUX combinam?
A ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café), representa atualmente 500 empresas de torrefação e moagem de café em todo o território brasileiro. Seu propósito é promover o desenvolvimento da indústria cafeeira nacional, criando selos de qualidade, concursos e capacitação. Organiza também as estatísticas do setor.

Em outubro de 2006 a empresa Interscience foi contratada para realizar pesquisa sobre os hábitos de consumo de café. Os objetivos da pesquisa, descobrir novos mercados e fortalecer o setor cafeeiro nacional e estimular o consumo.
Percebeu-se que o café é a segunda bebida mais consumida pela população brasileira, depois da água mineral; que os motivos que levam ao consumo de café são associados a dinamismo e sociabilidade (esquenta, levanta, liga e reúne — palavras apontadas na pesquisa); que as pessoas das classes A e B preferem consumir o café fora de casa; que a percepção de qualidade e diferenciais de experiências de consumo têm efeito determinante sobre o hábito de tomar café.

O Brasil possui 160 marcas de café e está posicionado no cenário mundial como um dos fornecedores de alta qualidade. Além disso, é responsável por 50% do consumo interno de todos os 57 países produtores. Todos esses fatos atraíram a chegada de algumas redes internacionais de cafeterias tidas como especiais, como a Starbucks, que não por acaso comercializa um tipo de café chamado Ipanema Bourbon, reconhecido por seu equilíbrio, corpo e textura.
Além deste movimento, redes nacionais se posicionam cada vez mais como cafeterias gourmet, ampliando o conceito de servir café. Seus departamentos de
marketing desenvolvem conceitos, produtos e serviços associados à cafeteria e ao que ela representa para seus freqüentadores. Conseqüentemente, perdura-se o efeito da marca, que se prolonga para muito além da experiência vivida na cafeteria. Assim temos os cartões de fidelidade, as músicas tocadas na loja, livros sobre a história da empresa, canecas, os próprios equipamento para preparo da bebida e o que mais a criatividade permitir.
E o que este preâmbulo de economia e marketing do café faz neste artigo?
Mostra que o café pode ultrapassar a fronteira do balcão e da xícara. Você já viu uma linha de acessórios feitos de café? Que tal pequenas jóias ou biojóias, com os grãos devidamente tratados, alternados a metais e contas, num estilo que refletisse o conceito da cafeteria?
Minha pequena pesquisa revelou trabalhos que se inspiram nos grãos de café e os representam em prata, pedra ou outros materiais. É o caso da Coffee Bean Jewelry, um exemplo bastante significativo, mas que precisa apresentar seus produtos com um site mais limpo e com desenho apurado.
O Costa Rica Coffee Art apresenta outro tipo de trabalho, cuja técnica consiste em fazer gravuras com o pó de café e assim aplicá-las em diferentes superfícies, como no pingente para colar.

A grande vedete, entretanto, fica por conta do Java Jewels, que utiliza os próprios grãos de café, conforme seu tipo, numa proposta de moda orgânica. Figuram lado a lado, assim, colares como o Mocha, Vanilla Latte, Jamaican Blues, etc.
E então? Depois dessa pequena amostra, designers, cafeterias, bijoux e café dão samba ou não? Da próxima vez que sair para tomar café, procure nos pescoços e orelhas dos clientes antenados “perólas de café“.
