Bom design nem sempre é caro. Talvez a questão recaia muito mais sobre o quanto somos educados ou não a apreciar e valorizar um trabalho de criação, em qualquer campo de trabalho, quer seja design, moda, artes visuais, etc.
Muito provavelmente pagaríamos 300 ou 400 reais por um tênis ultra bacana glam fashion hype. Mas nossa mão seria tão aberta para investir o mesmo valor para pagar por um trabalho de criação de, digamos, um convite impresso e eletrônico criado especialmente para nossa festa de aniversário de 30 ou 40 anos?
Parece estar subentendida uma espécie de caráter supostamente efêmero em um convite impresso ou eletrônico, um cartão de visita e/ ou o brinde produzido para uma empresa. Esta efemeridade sucumbe ao fato de um artista não fazer propaganda agressiva e constante de seus trabalhos, incutindo na mente do observador uma necessidade criada e um ideal intangível — algo como “beba isto ou esfregue aquilo e tenha o abdômen que você nunca vai ter!” ou “use este par de tênis e ‘do it’ até mortal triplo!” (frisemos que eu também tenho um confortabilíssimo Nike no meu armário, e isto é tão somente um exemplo).

Dessa forma, o dinheiro salta do bolso quase espontaneamente, como que por osmose. Mas se amedronta quando se trata de investir em algo que depende do seu trabalho diário, como um simples cartão de visita bem feito — de nada adianta ter o belo cartão se você não toca seu negócio. Mais fácil acreditar em tênis com asas, portanto. Com isso, colocamos no limbo a fronteira entre o que é útil e justo X frívolo e fútil.
Ora, que raios o motivo desta digressão? O propósito é chamar atenção para o fato de que design e arte estão em nossas vidas a todo momento e em todo lugar e objeto. Mesmo que nosso olhar não tenha sido educado e posteriormente lapidado para apreciar arte e design, desejamos isso. E o mais importante: podemos contar com profissionais dessas áreas para criar soluções minuciosamente pensadas para nós.

A escolha é nossa: podemos continuar calçando tênis que têm asas, mesmo que voar nos cause pavor ou que sejamos mancos e tenhamos dificuldade para “voar”, ou encomendar um tênis que alie estética, praticidade e conforto a um design que seja como um trem-bala percorrendo nossa imaginação, na velocidade exata que desejamos.
Surge, entretanto, a dúvida: estaremos igualmente contextualizados e inseridos no segmento social, profissional etc., que queremos ou seremos marginalizados se não usarmos o tal “tênis com asas”? Afinal, todo signo que é deslocado de seu contexto habitual causa estranhamento. O quão “diferentes” queremos ser então?
Para pensarmos sobre isso, trago a seguir um pequenino conjunto de sites e blogs de design em geral — de arquitetura a design gráfico e artes visuais em geral —, onde várias das peças, idéias e soluções apresentadas unem customização a processos de produção em massa. Não é à toa que muito do que você verá neles será parte de sua coleção de objetos do desejo. Buscamos diferenciação e unicidade em tudo o que fazemos, e esta nossa necessidade fundamental é o que garante a sobrevivência de profissionais que trabalham com criação.

Vale uma última dica: nada do que eu disse aqui é novidade, basta olhar para “A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica”, de Walter Benjamin, “O Império do Efêmero”, de Gilles Lipovetsky, e aprender um pouquinho de Semiótica, começando por autores que não escrevem diretamente sobre o assunto, como o delicioso e didático texto de Décio Pignatari em “Informação. Linguagem. Comunicação”, que você encontra em vários sebos. Leia ontem se você ainda não conhece. Ah! E consulte os links indicados no lado direito da página deste blog, pois surpresas e deleites estéticas o(a) aguardam!
MODERN SELF
Aqui eu faço o papel de “chatonildo” desde o início: se formos rigorosos e corretos em termos históricos e artísticos, a modernidade já se foi e, portanto, o nome deste blog está ultrapassado… e o desenho do cabeçalho é imperdoável.
Felizmente o conteúdo é exatamente o contrário: são fantásticos os estilos de vida que mostra, com espaços e objetos repletos de design arrojado. A seção Design War é o máximo: compara objetos com a mesma função, e permite que os internautas votem no melhor design. Adorei o humor da seção Dating, que traz artigos despretensiosos como um que fala sobre o design e a decoração que podem ou não atrapalhar um clima de namoro… ou sexo.
GUERRILLA INNOVATION
Eis o tal “estranhamento”: creative + unconventional + interventionistic, a chamada do blog. Traz exemplos genuinamente curiosos e inteligentes de arte interativa. Eu mesmo, que às vezes sou avesso a essas experimentações, adoraria participar de algumas delas, como o elevador com botão randômico, que leva as pessoas a qualquer andar, ter um rótulo de cerveja só meu, ou comprar para uma amiga um vestido de noiva descartável, feito sob medida na Finlândia, ou uma bolsa que muda de cor conforme a qualidade do ar.
PURE CONTEMPORARY
The Contemporary Design Magazine for Luxurious Living, ou seja, uma revista contemporânea de design e decoração de interiores para um estilo luxuoso de morar. Isto não significa que não possamos adaptar em nosso cantinho várias das idéias lá expostas. O blog da revista destaca objetos e traz uma lista de designers e empresas que os produzem, além de indicações de sites de outras revistas “pra lá de bacanas”.
CITY OF SOUND
Um blog que parece publicação de referência. Entrou definitivamente para os meus favoritos. Além de matérias informativas breves, há textos mais lapidados, como o que aborda a exposição sobre a obra do arquiteto finlandês Alvar Aalto, no Barbican, em Londres, planejamento urbano na Austrália, e os cenários urbanos 3D criados para o jogo O Grande Roubo IV, sensacionais! Achou pouco? Não perca as indicações de CDs e livros!
THE THREE HUGGER
Customização, sustentabilidade, meio ambiente. Seja diferente e, literalmente, um “abraçador” de árvores ao mesmo tempo. Mais que um site, um portal sobre produtos ecologicamente corretos, notícias sobre sustentabilidade e modos de vida sustentáveis, inclusive no tocante a sexo. O artigo How to green your sex life traz soluções que podem esquentar ainda mais o que já está quase fervendo. E a seção Fashion and Beauty traz até indicações de cosméticos orgânicos.