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Fashionista, “fashionvista” ou revista fashion?
Quando parece que todos os layouts, fotos, produções e grafismos possíveis já foram inventados, emergem dum crepúsculo plúmbeo os visionários. Em seu carro alegórico desfilam sites como a da revista on-line holandesa ICONIQUE. Se a revista Tush — de que falei no artigo anterior — falasse, ela seria a ICONIQUE, como seriam a evolução da Vogue America e Vogue Britânica (já que a Vogue Itália, diversamente delas, traz ensaios de produção de moda e maquiagem genuinamente atrevidos).
A ICONIQUE fundiu com sucesso o ângulo clássico meio blasé e tradicionalista das Vogues mais caretas com a experimentação absolutamente glamorosa da Tush e da Vogue Itália, utilizando recursos de programação Flash não como virtuosismo, mas como ferramenta para o luxo. By the way, pure luxury! Posh, babe! Quando esta revista-ícone de moda, beleza, artes digitais e design cristalizar seus elementos de luxo numa estrutura um pouco mais clara, universalmente decifrável (nos seus pausados e devidos estágios, para não perder sua aura de mistério, surpresa e “re-velação” que circunda cada artigo) e cogniscível, vai virar símbolo no meio de moda e comportamento. Os semióticos que façam sua apreciação, muito bem-vinda para este tipo de “publicação-empreitada” on-line.
No mesmo carro alegórico, mas um degrau abaixo, vem a ZOOZOOM, que se intitula “the original online glossy”. Resta saber a que “original” se refere: se pioneira, primeira, ou inventiva e, de certa forma, uma meteorologista de moda, beleza e cultura. Sim para o conteúdo, que impressiona, não para a forma.

No quesito estrutura visual e navegação, a on-line glossy é padrão, não passa de uma cidadã comum. O conteúdo, que traz ensaios fotográficos incríveis e até perturbadores, é como o gloss por cima de um batom simples, a transformar em diamante os lábios (não tão) carnudos de uma modelo mediana. Sim, vale muitíssimo a pena, mas prepare-se para aparições chatas dos anunciantes, como acontece no site da Vogue America, especialmente nos slide shows dos desfiles das últimas temporadas internacionais.
Menos ambiciosa e minimalista, a nova-iorquina PAPIER DOLL disputa os olhares com a Zoozoom. A edição de maio deste ano comemora dois anos de uma revista digital de moda, que em 2006 fez a melhor cobertura dos roteiros e itens de compra em moda e compras on-line, segundo a revista Forbes. Como é de se esperar, há ensaios fotográficos e artigos especializados, mas o blog da Papier é o que mais atrai a leitura, com sua organização clara e artigos sucintos, com linhas essenciais sobre cada artigo de moda, beleza e cosméticos.

E, para relaxar, fama, sexo e estilo: a britânica PHAMOUS 69 e a americana RARE DAILY. Um phamous phallus digital com inspiração Studio 54 (em tempo: assista ao filme homônimo) no layout e nos artigos. E um guia masculino de cultura, moda, gastronomia e vida noturna em Nova York e Los Angeles, para quem raramente verifica o extrato da conta corrente ou dos cartões de crédito.
A PHAMOUS 69 esclarece: é uma abordagem moderna para a conhecida Playboy. Vou além: é uma abordagem mais divertida, mais heterogênea e, à exceção de alguns artigos de colaboradores e convidados da Playboy, com textos mais elaborados, gostosos de ler e abertos à diversidade, isso sim. Como se não bastasse, regados a “lux-porn images”, o máximo!
É pros machos divertidos que urram no momento do gol, também tocam violino e curtem passar um dia num spa de beleza, não para exercitar sua metrossexualidade, mas para escrever crônicas. E, claro, olhar de tempos em tempos as massagistas e terapeutas gostosas e solícitas.
RARE DAILY são como desenvolvimentos cuidadosos e ampliações meticulosas do programa Contemporâneo, do GNT. Destaque para o conteúdo, pois a identidade visual é diáfana, pouco convincente, se é que existe alguma. Poderia ser qualquer coisa, inclusive o que atualmente é. Mesmo assim, dou a mão à palmatória: com algum dinheiro poupado, ainda faço os maravilhosos roteiros propostos.



