Se não estamos prontos para ousar por inteiro, podemos começar por etapas. Há que se questionar o quão confortáveis nos sentiríamos vestindo o que as passarelas lançam. Importante, entretanto, é abrir-se ao novo, mesmo que aos poucos. E desenvolver pela moda um “amor aos pedaços” (nome sabiamente usado pela doceira paulistana de mesmo nome).
Pedaços instigantes estão nos acessórios. Cintos, bolsas, sapatos, bijuterias, jóias… peças que podem tornar roupas simples produções inspiradas, ou equívocos imperdoáveis aos olhos dos mais entendidos. Construir repertório no assunto pode evitar gafes e, de quebra, aumentar nossa cultura em design e arte. Afinal, a moda bebe direto de ambas, e as coleções dos museus indicados é reflexo irrefutável disso.
Há também artistas que ultrapassam qualquer parâmetro, e conjugam moda à cultura contemporânea e vice-versa. Exemplos como o MOMU, da Bélgica, trazem uma amostra de combinações inusitadas e surpreendentes.
HOLANDA
Amsterdã
MUSEUM OF BAGS AND PURSES
O Tassenmuseum, ou Museu das Bolsas e Carteiras, ocupa um casarão do século XVIII em Amsterdã, e traz em sua coleção exemplares raros, desde 1500 a até 2004. Designers desconhecidos disputam espaço com nomes tarimbados da indústria da moda. Boa parte do que se vê no museu está no livro “Bags”, à venda no local. Deleite-se com sua compilação com mais de 500 fotos coloridas das peças da coleção
Para designers de talento, o museu ainda oferece uma oportunidade: possibilidades de montagem de exposições com a coleção dos criadores. E, para os abastados fanáticos por bolsas, futuras exposições cujas peças estarão à venda. Coloque o site nos seus favoritos e aguarde as datas!
BÉLGICA
Antuérpia
MOMU – MODE MUSEUM
Uma parceria com o Flanders Fashion Institute (FFI), que promove os estilistas belgas internacionalmente. Sua coleção traz itens desde o século XVI, mas a ênfase é no XIX. Além disso, organiza exposições de estilistas belgas e de outras nacionalidades, como Yohji Yamamoto e artistas russos. A biblioteca é uma das melhores fontes de consulta sobre moda belga e internacional, com seus 15 mil volumes. Aliás, o FFI traz em sua página de entrada links para o MOMU e para a revista “A Magazine”, publicação muito atraente para fashionistas e artistas de vanguarda. Afinal, nela já figuraram nomes como Nick Knight (que já fez capas de CDs para o New Order, entre tantos outros trabalhos), Yohji Yamamoto e um dos estilistas mais badalados de Tóquio, Jun Takahashi.
Bruxelas
MUSEUM OF COSTUME AND LACE

Com um acervo de peças dos séculos XVII ao XIX, este museu dedica-se princialmente à exposições dos borbados beldas e das roupas dos burgueses deste período. Na coleção também figuram peças francesas e italianas.
CANADÁ
Toronto
THE BATA SHOE MUSEUM
4.500 anos de história são representados por 10.000 pares de sapatos, além de uma coleção de calçados de celebridades do século XX. Um prédio em arquitetura contemporânea foi construído para abrigar essas relíquias, e aberto ao público em 1995. A fundadora do museu, Sonja Bata, vislumbrava a criação de um espaço como o atual desde a década de 40, e a fundação que o administra nasceu em 1979.
Tudo isso é muito mais sedutor para uma visita in loco. Se, entretanto, o Canadá não integra seus próximos roteiros de viagem, não desamine: o museu criou uma fantástica exposição on-line. Trata-se de um trabalho árduo de digitalização das peças e criação de recursos didáticos para professores interessados em utilizar a história dos sapatos em sala de aula, como gancho ou complemento para outras disciplinas.
Mais de 12.000 peças representam 2.000 anos de história através de tecidos e tapeçaria. Entre as exposições em cartaz, os simbolismos do azul nos tecidos e tecidos feitos de pele de peixe. Como no Bata Shoe Museum, há imperdíveis exposições on-line. Entre elas, vale muito a pena reservar um tempo para a de tapeçaria e a exposição Cloth and Clay (“tecido e barro”), uma colaboração com o Gardiner Museum of Ceramic Art, celebrando 2.000 anos de cultura mexicana, da América Central e do Sul.



