O título deste artigo não é de minha autoria. Aliás, vai muito além de sua denotação. Acompanha um segundo mote: “o essencial é invisível aos olhos”. Prefiro entender que, dependendo de como se olha, talvez realmente seja. O Diálogo no Escuro segue à risca tal conceito: trata-se do Museu do Diálogo, aberto em Campinas, São Paulo, no final de abril deste ano.
Invenção do Velho Mundo, da Alemanha precisamente, apostou no Brasil como o segundo país das Américas para instalar mais um de seus espaços. Neles, ausência total de luz. A experiência dos visitantes é pautada por artifícios que estimulam todos os sentidos, exceto a visão, num trajeto que pode durar até 90 minutos. Além disso, a iniciativa insere no mercado de trabalho deficientes visuais, os guias dessa experiência.
Não há muito o que contar por enquanto, nem fotos para colocar. O que vale é o diálogo, a palavra. Ainda não fui a este museu e qualquer relato mais profundo seria falso. Mas é sempre louvável relembrar iniciativas como esta, que geram alarde na grande mídia quando começam suas atividades, para depois praticamente caírem no esquecimento.
Para quem se aventurou nas texturas do filme “Janela da Alma”, leu “Ver e não ver” de Oliver Sacks e quer saber sobre outras fontes de informação sobre deficiência visual, vale a pena olhar para Hannover, na Alemanha, para a Estônia e também a República Tcheca. Nesses países há o Museu dos Cegos (Museum of the Blind). Uma história das pessoas com deficiência visual e como elas se adaptaram para conseguir, por exemplo, obter a educação formal a que temos acesso. As visitas muitas vezes têm de ser agendadas.