Neste mês de maio o lançamento da revista britânica Plastique está na boca de (quase) todos os descolados de plantão. Não que seja nosso dever não ficar de fora, mas algo muito peculiar no site da revista me chamou a atenção: em seu espaço virtual “My Space”, do Google, figura ninguém menos que Pat McGrath.
Maquiadora britânica residente nos Estados Unidos, Pat criou o conceito dos looks para 10 temporadas de desfiles da Prada e Miu Miu, fez várias capas da revista i-D e, entre tantas outras conquistas, atualmente é a Color Cosmetics Creative Design Director da Procter & Gamble nos Estados Unidos. Lembremos que a Procter & Gamble produz os cosméticos MAX Factor.

Eu que ainda não vi a revista e conheço apenas seu site (em construção), só pelo fato de ver Pat McGrath como uma dos “Plastique magazine’s friends“, aguardo ansioso a chegada de um exemplar até minhas mãos, para então ver com meus próprios olhos a “explosive fashion” de que trata a revista.
Será preciso muita ousadia e visão para sobrepujar suas conterrâneas i-D e Dazed & Confused. Talvez a Plastique venha também resgatar os órfãos da finada The Face. Numa de suas provocativas capas, uma vez trouxe um esqueleto ornado com acessórios cotadíssimos e uma peruca. Dentro da revista havia então um ensaio com esqueletos trajando roupas e acessórios de marcas famosas.

A revista i-D também nunca deixou por menos. A edição out of the blue de maio de 2007, ou seja, em tese uma edição surpresa ou não esperada da revista, traz a vanguardista Björk num momento “fasion-print-woven-chaos”. A cantora e atriz aparece com maquiagem que lembra gravuras coloridíssimas, e está (re)vestida por camadas que lembram tramas de crochê e tricô, numa paradoxal “ensaiada desordem”.
O site ainda traz uma galeria das outras quatro capas que retrataram Björk, desde 1993, e destaca sua exposição itinerante, que esteve no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, em janeiro de 2006, durante a Fashion Week. Mas não se desanime: Björk não é a única estrela para a revista, pois a brasileira Luciana Curtis também já foi capa. A edição regular da revista chama-se, no mês de maio, “The White Trash Issue”, tem capa diferente e é de número 276.
A concorrência é brava mesmo! Quem não só folheou, mas também leu a revista Dazed & Confused já sabe de sua irreverência. A palavra é “maverick” mesmo, algo de vanguarda, desafiador e à frente de seu tempo. Há uns meses eu não folheava um exemplar, mas embasbacado mesmo fiquei com seu site. Seria mais justo dar-lhe o título de portal. A própria revista muito provavelmente já percebeu isso, tanto que o endereço não é “dazedmagazine.com”, e sim “www.dazeddigital.com”. Arte, moda, comportamento e cultura on-line com vários blogs e sub-blogs dentro de si. Um verdadeiro hub, uma central de moda e comportamento, cultura e estilo e seus desdobramentos. A capa da versão impressa não chega aos pés da capa do portal na internet, diga-se de passagem.

Os britânicos saem na frente no quesito experimentação e vanguarda, mas os alemães são páreo duríssimo com sua revista Tush (pronuncia-se “tush” mesmo, não “tãsh”), publicada em Stuttgart. Meus recentes e ainda incipientes conhecimentos de maquiagem sussurram que talvez seja a única revista mundial dedicada integralmente à maquiagem de produção.
Um primor, um delírio estético em looks, fundos, cenários, olhos, bocas e peles sensacionais, incríveis mesmo. É uma dádiva, um manjar dos deuses para quem aprecia maquiagem, nem que seja só um pouquinho. Tive o prazer de folhear (e quase reverenciar) um exemplar de uma das edições da revista na casa da Silvana Gurgel, uma das circenses do Design Circus. A Tush havia chegado pelas mãos de sua amiga Mily Serebrenik, cujo trabalho em muito lembra o que está na revista. O próximo passo é eu aprender alemão para conseguir lê-la. As capas de todas as edições não refletem o deleite que é o conteúdo.

i-D, Dazed & Confused, Plastique, Tush e a saudosa The Face. Se você não a conheceu, procure já um exemplar antigo que vale a pena. Pergunte a quem era fã.









