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Diálogo no Escuro

O título deste artigo não é de minha autoria. Aliás, vai muito além de sua denotação. Acompanha um segundo mote: “o essencial é invisível aos olhos”. Prefiro entender que, dependendo de como se olha, talvez realmente seja. O Diálogo no Escuro segue à risca tal conceito: trata-se do Museu do Diálogo, aberto em Campinas, São Paulo, no final de abril deste ano.

Invenção do Velho Mundo, da Alemanha precisamente, apostou no Brasil como o segundo país das Américas para instalar mais um de seus espaços. Neles, ausência total de luz. A experiência dos visitantes é pautada por artifícios que estimulam todos os sentidos, exceto a visão, num trajeto que pode durar até 90 minutos. Além disso, a iniciativa insere no mercado de trabalho deficientes visuais, os guias dessa experiência.

Não há muito o que contar por enquanto, nem fotos para colocar. O que vale é o diálogo, a palavra. Ainda não fui a este museu e qualquer relato mais profundo seria falso. Mas é sempre louvável relembrar iniciativas como esta, que geram alarde na grande mídia quando começam suas atividades, para depois praticamente caírem no esquecimento.

Para quem se aventurou nas texturas do filme “Janela da Alma”, leu “Ver e não ver” de Oliver Sacks e quer saber sobre outras fontes de informação sobre deficiência visual, vale a pena olhar para Hannover, na Alemanha, para a Estônia e também a República Tcheca. Nesses países há o Museu dos Cegos (Museum of the Blind). Uma história das pessoas com deficiência visual e como elas se adaptaram para conseguir, por exemplo, obter a educação formal a que temos acesso. As visitas muitas vezes têm de ser agendadas.

Jóias em vidro

por ADRIANA BONNARD

Não, essa não é uma proposta de embalagem para jóias. Falo sobre lampwork, técnica que utiliza o vidro como matéria-prima, e o fogo para esculpi-la.

Lembram-se dos “cristais de murano” de Veneza, na Itália? Lá, sob hábeis mãos de artesãos, pedaços de vidro bruto adquirem a forma de qualquer sonho, de cavalinhos a delicados vasos. Em nossa Poços de Caldas, lojas de cristais também fazem sucesso, mas em menor escala. De qualquer forma, falamos da mesma coisa. O destaque do lampwork é o resultado final: contas com desenhos incríveis, usadas para formar bijuterias mais inusitadas ainda.

lamp bead1

A maioria dos muranos (na linguagem dos designers de bijoux, muranos são todas as contas feitas de vidro) é feita a partir de técnicas semelhantes; a diferença é que o lampwork resulta em um murano mais elaborado, mais complexo e mais composto.

Essa técnica requer muita prática e aprendizado quase que milenar, que vai desde saber aplicar a temperatura ideal ao vidro até como saber misturar as cores e criar a proporção das contas.

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No Brasil desconheço artesãos desta técnica. Acesso esse trabalho através de importadores e sites de artistas internacionais como http://www.lampwork.net, http://www.mjlampwork.com e http://www.cherylkumiski.com.

Nossa moda não usa em sua totalidade, ou em profusão, as propostas de lampwork desenhadas por esses artistas italianos, americanos ou londrinos. Vejo, outrossim, uma utilização criativa, porém mais discreta, que brinca com misturas de lampwork beads e couro, crochê e o que mais combinar.

Por que não trazer os cristais de murano para os pescoços, braços e orelhinhas brasileiras?

lamp bead3

Cores do nosso verão

por ADRIANA BONNARD

A Fire Mountain Gems and Beads é uma destacada empresa norte-americana fortemente posicionada como fornecedora de matéria prima para o mundo dos designers de bijuterias. Se estivesse no Brasil, definitivamente teria uma lojinha nos arredores da rua 25 de Março.

Numa de suas ações que influenciam o mercado de acessórios para moda, a empresa lança uma cartela de cores para cada temporada. Compartilho aqui a correspondente ao outono-inverno de 2008 (no hemisfério norte), que no Brasil equivale aos meses de setembro até fevereiro do ano que vem.

Colar azul

É importante notar a predominância dos azuis em suas variações até o cinza, algo presente em muitas das coleções de moda da última SPFW (nas fotos abaixo, dois exemplos da Maria Bonita). Convém lembrarmos que o casamento perfeito entre as cartelas de cores publicadas globalmente a cada grupo de estações, nem sempre se manifesta em todos os segmentos de produção. Mesmo assim, funciona como pista para desvendarmos um pouco das cores das matérias-primas que estarão na linha de produção da indústria dos acessórios de moda.

maria bonita

Os tons mais terrosos são quase uma obrigação no outono, mas na proposta da cartela de cores, há variações róseas (nas fotos abaixo, dois exemplos da Second Floor) há algum tempo ausentes em nossa moda, caso específico da cor fire cracker.

second floor

As combinações entre as cores da cartela também valem. No entanto, ela não revela quais serão as texturas em voga: florais, grafismos, geometrismos ou qualquer outra proposta costumam ser trabalho da indústria têxtil.

Agora é esperar a segunda quinzena de Agosto e conferir in loco os materiais disponíveis, e confirmar ou não essa tendência de cores.

“A história do rosto é também a história do controle da expressão” e, assim, a cultura contemporânea é produtora de “um silêncio do corpo e das caras”. Na era da comunicação cada vez mais visual e instantânea que exercitamos, eis aqui uma observação mais que pertinente, citada por Massimo Canevacci em “Antropologia da Comunicação Visual” (p. 131). Os autores são, entretanto, Claudine Courtine e Jean-Jacques Haroche, em “História do Rosto”(p. 20).

São eles também que apontam para a contemporaneidade como o “(…) declínio da expressividade em público. Essa é causa do conseqüente silêncio do rosto. E, assim, o homem sem rosto é o resultado de um tipo de sociedade que não teria mais vontade de expressar emoções, mas somente de controlá-las”(Canevacci, p. 130). Concluindo, “toda a cultura visual gira ao redor do corpo. E o corpo é o rosto por excelência. O rosto é o grande concentrado do corpo inteiro, ao qual deve-se dar a maior ênfase” (id., p. 131).

gericault

Theodore Géricault, Têtes coupées, 1818-19, Museu Nacional de Estocolmo

Depois de ler o capítulo “Cabeças cortadas”, de “Antropologia da Comunicação Visual”, saltaram aos meus olhos a lógica do funcionamento da indústria cosmética, com sua bandeira de melhora constante da expressão, e a dificuldade crônica em expressar-se, donde brotam gerundismos e outros vícios de linguagem, mesmo no uso do mais simples português instrumental. Criam-se, então, falsos neologismos para suprir tais deficiências. É o olhar sem ver. Como o “Ver e não ver” de Oliver Sacks, em “Um Antropólogo em Marte”.

Falamos aqui de diferentes níveis de realidade e percepção. A diferença que acrescenta, é benfazeja, e não limitadora. A incompreensão disto pode gerar conflitos e danos irreversíveis. É o que mostra o relato de um caso clínico por Oliver Sacks, que tanto me atraiu. Um homem que perdeu a visão adaptou-se a outras formas de apreensão da realidade, e assim sobrevive satisfatoriamente. Seu envolvimento amoroso com a mulher que o ama leva-o a concordar submeter-se a sucessivas cirurgias para recuperação da visão, tal qual julgamos seja a situação ideal. Findo o calvário médico-hospitalar, este homem recobra a visão, mas não consegue usá-la. Surgem daí depressão, obesidade e sérias complicações de saúde. Continuar Lendo »

Se não estamos prontos para ousar por inteiro, podemos começar por etapas. Há que se questionar o quão confortáveis nos sentiríamos vestindo o que as passarelas lançam. Importante, entretanto, é abrir-se ao novo, mesmo que aos poucos. E desenvolver pela moda um “amor aos pedaços” (nome sabiamente usado pela doceira paulistana de mesmo nome).

Pedaços instigantes estão nos acessórios. Cintos, bolsas, sapatos, bijuterias, jóias… peças que podem tornar roupas simples produções inspiradas, ou equívocos imperdoáveis aos olhos dos mais entendidos. Construir repertório no assunto pode evitar gafes e, de quebra, aumentar nossa cultura em design e arte. Afinal, a moda bebe direto de ambas, e as coleções dos museus indicados é reflexo irrefutável disso.

Há também artistas que ultrapassam qualquer parâmetro, e conjugam moda à cultura contemporânea e vice-versa. Exemplos como o MOMU, da Bélgica, trazem uma amostra de combinações inusitadas e surpreendentes.

HOLANDA

Amsterdã
MUSEUM OF BAGS AND PURSES

 

bags

O Tassenmuseum, ou Museu das Bolsas e Carteiras, ocupa um casarão do século XVIII em Amsterdã, e traz em sua coleção exemplares raros, desde 1500 a até 2004. Designers desconhecidos disputam espaço com nomes tarimbados da indústria da moda. Boa parte do que se vê no museu está no livro “Bags”, à venda no local. Deleite-se com sua compilação com mais de 500 fotos coloridas das peças da coleção

Para designers de talento, o museu ainda oferece uma oportunidade: possibilidades de montagem de exposições com a coleção dos criadores. E, para os abastados fanáticos por bolsas, futuras exposições cujas peças estarão à venda. Coloque o site nos seus favoritos e aguarde as datas!

 

BÉLGICA

Antuérpia
MOMU – MODE MUSEUM

Momu


Uma parceria com o Flanders Fashion Institute (FFI), que promove os estilistas belgas internacionalmente. Sua coleção traz itens desde o século XVI, mas a ênfase é no XIX. Além disso, organiza exposições de estilistas belgas e de outras nacionalidades, como Yohji Yamamoto e artistas russos. A biblioteca é uma das melhores fontes de consulta sobre moda belga e internacional, com seus 15 mil volumes. Aliás, o FFI traz em sua página de entrada links para o MOMU e para a revista “A Magazine”, publicação muito atraente para fashionistas e artistas de vanguarda. Afinal, nela já figuraram nomes como Nick Knight (que já fez capas de CDs para o New Order, entre tantos outros trabalhos), Yohji Yamamoto e um dos estilistas mais badalados de Tóquio, Jun Takahashi.

Bruxelas
MUSEUM OF COSTUME AND LACE

 

lace museum

Com um acervo de peças dos séculos XVII ao XIX, este museu dedica-se princialmente à exposições dos borbados beldas e das roupas dos burgueses deste período. Na coleção também figuram peças francesas e italianas.

CANADÁ

Toronto
THE BATA SHOE MUSEUM

 

 

bata shoe

4.500 anos de história são representados por 10.000 pares de sapatos, além de uma coleção de calçados de celebridades do século XX. Um prédio em arquitetura contemporânea foi construído para abrigar essas relíquias, e aberto ao público em 1995. A fundadora do museu, Sonja Bata, vislumbrava a criação de um espaço como o atual desde a década de 40, e a fundação que o administra nasceu em 1979.
Tudo isso é muito mais sedutor para uma visita in loco. Se, entretanto, o Canadá não integra seus próximos roteiros de viagem, não desamine: o museu criou uma fantástica exposição on-line. Trata-se de um trabalho árduo de digitalização das peças e criação de recursos didáticos para professores interessados em utilizar a história dos sapatos em sala de aula, como gancho ou complemento para outras disciplinas.

 

TEXTILE MUSEUM OF CANADA

textile museum

Mais de 12.000 peças representam 2.000 anos de história através de tecidos e tapeçaria. Entre as exposições em cartaz, os simbolismos do azul nos tecidos e tecidos feitos de pele de peixe. Como no Bata Shoe Museum, há imperdíveis exposições on-line. Entre elas, vale muito a pena reservar um tempo para a de tapeçaria e a exposição Cloth and Clay (“tecido e barro”), uma colaboração com o Gardiner Museum of Ceramic Art, celebrando 2.000 anos de cultura mexicana, da América Central e do Sul.

FÉRIAS

RETORNAMOS COM TEXTOS BACANÉRRIMOS ATÉ A PRIMEIRA SEMANA DE AGOSTO.

As aparências enganam

Principalmente quando o intuito for este mesmo!

Esta dica eu vi no blog da Zel. IMPERDÍVEL! Dispensa o uso de imagens aqui. Vá ao link e descubra por si só.

Vale lembrar que a “brincadeira” é um dos experimentos do Perception Laboratory, da Escola de Psicologia da Universidade de Saint Andrews, na Escócia. Faz parte das cinco linhas de pesquisa nesta área de estudo: protótipos faciais, envelhecimento do rosto, percepção da assimetria facial, o que torna um rosto atraente e participação em exercícios interativos com o rosto. Uma das vertentes de pesquisa cria protótipos de rostos em computador analisando os formatos que compõem o rosto que, acredita-se, é o que mais exerce atração sobre os outros.

Depois de se divertir, leia um pouquinho a respeito no Perception Laboratory e seu Face Transformer, além do Face Research. Os textos, embora em inglês, são curtos e didáticos.