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Archive for the ‘Arte & Cultura’ Category

O título deste artigo não é de minha autoria. Aliás, vai muito além de sua denotação. Acompanha um segundo mote: “o essencial é invisível aos olhos”. Prefiro entender que, dependendo de como se olha, talvez realmente seja. O Diálogo no Escuro segue à risca tal conceito: trata-se do Museu do Diálogo, aberto em Campinas, São Paulo, no final de abril deste ano.

Invenção do Velho Mundo, da Alemanha precisamente, apostou no Brasil como o segundo país das Américas para instalar mais um de seus espaços. Neles, ausência total de luz. A experiência dos visitantes é pautada por artifícios que estimulam todos os sentidos, exceto a visão, num trajeto que pode durar até 90 minutos. Além disso, a iniciativa insere no mercado de trabalho deficientes visuais, os guias dessa experiência.

Não há muito o que contar por enquanto, nem fotos para colocar. O que vale é o diálogo, a palavra. Ainda não fui a este museu e qualquer relato mais profundo seria falso. Mas é sempre louvável relembrar iniciativas como esta, que geram alarde na grande mídia quando começam suas atividades, para depois praticamente caírem no esquecimento.

Para quem se aventurou nas texturas do filme “Janela da Alma”, leu “Ver e não ver” de Oliver Sacks e quer saber sobre outras fontes de informação sobre deficiência visual, vale a pena olhar para Hannover, na Alemanha, para a Estônia e também a República Tcheca. Nesses países há o Museu dos Cegos (Museum of the Blind). Uma história das pessoas com deficiência visual e como elas se adaptaram para conseguir, por exemplo, obter a educação formal a que temos acesso. As visitas muitas vezes têm de ser agendadas.

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“A história do rosto é também a história do controle da expressão” e, assim, a cultura contemporânea é produtora de “um silêncio do corpo e das caras”. Na era da comunicação cada vez mais visual e instantânea que exercitamos, eis aqui uma observação mais que pertinente, citada por Massimo Canevacci em “Antropologia da Comunicação Visual” (p. 131). Os autores são, entretanto, Claudine Courtine e Jean-Jacques Haroche, em “História do Rosto”(p. 20).

São eles também que apontam para a contemporaneidade como o “(…) declínio da expressividade em público. Essa é causa do conseqüente silêncio do rosto. E, assim, o homem sem rosto é o resultado de um tipo de sociedade que não teria mais vontade de expressar emoções, mas somente de controlá-las”(Canevacci, p. 130). Concluindo, “toda a cultura visual gira ao redor do corpo. E o corpo é o rosto por excelência. O rosto é o grande concentrado do corpo inteiro, ao qual deve-se dar a maior ênfase” (id., p. 131).

gericault

Theodore Géricault, Têtes coupées, 1818-19, Museu Nacional de Estocolmo

Depois de ler o capítulo “Cabeças cortadas”, de “Antropologia da Comunicação Visual”, saltaram aos meus olhos a lógica do funcionamento da indústria cosmética, com sua bandeira de melhora constante da expressão, e a dificuldade crônica em expressar-se, donde brotam gerundismos e outros vícios de linguagem, mesmo no uso do mais simples português instrumental. Criam-se, então, falsos neologismos para suprir tais deficiências. É o olhar sem ver. Como o “Ver e não ver” de Oliver Sacks, em “Um Antropólogo em Marte”.

Falamos aqui de diferentes níveis de realidade e percepção. A diferença que acrescenta, é benfazeja, e não limitadora. A incompreensão disto pode gerar conflitos e danos irreversíveis. É o que mostra o relato de um caso clínico por Oliver Sacks, que tanto me atraiu. Um homem que perdeu a visão adaptou-se a outras formas de apreensão da realidade, e assim sobrevive satisfatoriamente. Seu envolvimento amoroso com a mulher que o ama leva-o a concordar submeter-se a sucessivas cirurgias para recuperação da visão, tal qual julgamos seja a situação ideal. Findo o calvário médico-hospitalar, este homem recobra a visão, mas não consegue usá-la. Surgem daí depressão, obesidade e sérias complicações de saúde. (mais…)

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Se não estamos prontos para ousar por inteiro, podemos começar por etapas. Há que se questionar o quão confortáveis nos sentiríamos vestindo o que as passarelas lançam. Importante, entretanto, é abrir-se ao novo, mesmo que aos poucos. E desenvolver pela moda um “amor aos pedaços” (nome sabiamente usado pela doceira paulistana de mesmo nome).

Pedaços instigantes estão nos acessórios. Cintos, bolsas, sapatos, bijuterias, jóias… peças que podem tornar roupas simples produções inspiradas, ou equívocos imperdoáveis aos olhos dos mais entendidos. Construir repertório no assunto pode evitar gafes e, de quebra, aumentar nossa cultura em design e arte. Afinal, a moda bebe direto de ambas, e as coleções dos museus indicados é reflexo irrefutável disso.

Há também artistas que ultrapassam qualquer parâmetro, e conjugam moda à cultura contemporânea e vice-versa. Exemplos como o MOMU, da Bélgica, trazem uma amostra de combinações inusitadas e surpreendentes.

HOLANDA

Amsterdã
MUSEUM OF BAGS AND PURSES

 

bags

O Tassenmuseum, ou Museu das Bolsas e Carteiras, ocupa um casarão do século XVIII em Amsterdã, e traz em sua coleção exemplares raros, desde 1500 a até 2004. Designers desconhecidos disputam espaço com nomes tarimbados da indústria da moda. Boa parte do que se vê no museu está no livro “Bags”, à venda no local. Deleite-se com sua compilação com mais de 500 fotos coloridas das peças da coleção

Para designers de talento, o museu ainda oferece uma oportunidade: possibilidades de montagem de exposições com a coleção dos criadores. E, para os abastados fanáticos por bolsas, futuras exposições cujas peças estarão à venda. Coloque o site nos seus favoritos e aguarde as datas!

 

BÉLGICA

Antuérpia
MOMU – MODE MUSEUM

Momu


Uma parceria com o Flanders Fashion Institute (FFI), que promove os estilistas belgas internacionalmente. Sua coleção traz itens desde o século XVI, mas a ênfase é no XIX. Além disso, organiza exposições de estilistas belgas e de outras nacionalidades, como Yohji Yamamoto e artistas russos. A biblioteca é uma das melhores fontes de consulta sobre moda belga e internacional, com seus 15 mil volumes. Aliás, o FFI traz em sua página de entrada links para o MOMU e para a revista “A Magazine”, publicação muito atraente para fashionistas e artistas de vanguarda. Afinal, nela já figuraram nomes como Nick Knight (que já fez capas de CDs para o New Order, entre tantos outros trabalhos), Yohji Yamamoto e um dos estilistas mais badalados de Tóquio, Jun Takahashi.

Bruxelas
MUSEUM OF COSTUME AND LACE

 

lace museum

Com um acervo de peças dos séculos XVII ao XIX, este museu dedica-se princialmente à exposições dos borbados beldas e das roupas dos burgueses deste período. Na coleção também figuram peças francesas e italianas.

CANADÁ

Toronto
THE BATA SHOE MUSEUM

 

 

bata shoe

4.500 anos de história são representados por 10.000 pares de sapatos, além de uma coleção de calçados de celebridades do século XX. Um prédio em arquitetura contemporânea foi construído para abrigar essas relíquias, e aberto ao público em 1995. A fundadora do museu, Sonja Bata, vislumbrava a criação de um espaço como o atual desde a década de 40, e a fundação que o administra nasceu em 1979.
Tudo isso é muito mais sedutor para uma visita in loco. Se, entretanto, o Canadá não integra seus próximos roteiros de viagem, não desamine: o museu criou uma fantástica exposição on-line. Trata-se de um trabalho árduo de digitalização das peças e criação de recursos didáticos para professores interessados em utilizar a história dos sapatos em sala de aula, como gancho ou complemento para outras disciplinas.

 

TEXTILE MUSEUM OF CANADA

textile museum

Mais de 12.000 peças representam 2.000 anos de história através de tecidos e tapeçaria. Entre as exposições em cartaz, os simbolismos do azul nos tecidos e tecidos feitos de pele de peixe. Como no Bata Shoe Museum, há imperdíveis exposições on-line. Entre elas, vale muito a pena reservar um tempo para a de tapeçaria e a exposição Cloth and Clay (“tecido e barro”), uma colaboração com o Gardiner Museum of Ceramic Art, celebrando 2.000 anos de cultura mexicana, da América Central e do Sul.

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Durante o meu ensino fundamental (o então “primeiro grau”), para um trabalho escolar mamãe (que nunca participou dos concursos de miss) me apresentou à “Miss Suéter”. Achei a sátira tão genial que sei a letra da música de cor, até hoje:

Fascínio tenho eu
Por falsas louras
(aí, a negra lingerie)
Com sardas
Sobrancelha feita a lápis
E perfume da Coty

Na boca
Dois pivots tão graciosos
Entre jóias naturais
E olhos tais minúsculos aquários
De peixinhos tropicais
Eu conheço uma assim
Uma dessas mulheres
Que um homem não esquece
Ex-atriz de TV
Hoje é escriturária do INPS
E que, dia atrás
Venceu lá o concurso de
Miss Suéter

Na noite da vitória
Emocionada, entre lágrimas falou:
– “Nem sempre a minha vida foi tão bela
Mas o que passou, passou…
Dedico esse título a mamãe
Que tantos sacrifícios fez
Pra que eu chegasse aqui, ao apogeu
Com o auxílio de vocês”
Guardarei para sempre
Seu retrato de miss com cetro e coroa
Com a dedicatória que ela
Em letra miúda, insistiu em fazer:
“Pra que os olhos relembrem
Quando o teu coração infiel esquecer”
Um beijo. Margô.

João Bosco e Aldir Blanc talvez não pensassem na Coty como a maior empresa mundial de fragrâncias, quando compuseram “Miss Suéter”. Em fevereiro de 2007, ela lançou a Coty Beauty, promovendo uma fusão dos negócios de massa da empresa, na Europa, Américas e Ásia. O objetivo é crescer o bastante para ocupar um lugar entre as 5 maiores empresas de beleza do mundo.

Coty40

A mesma Coty, que aparece numa sátira aos concursos de miss, chegou a contratar Charles Loupot, cartazista francês tido como o responsável pelo nascimento do cartazismo moderno em seu país, para criar o pôster para o perfume da Coty, em 1938 (veja imagem abaixo). No segmento “prestige” da empresa figuram atualmente marcas poderosas como Calvin Klein, Cerutti, Marc Jacobs, Vera Wang, JOOP! e Davidoff, entre outras, e na área “beauty”, Rimmel e Isabella Rossellini, para mencionar só dois exemplos.

charles loupot

Fato é que o mesmo glamour que essas marcas trazem como simbologia, os concursos de miss tentam resgatar. (mais…)

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Corpo Comest�vel

Rosa Esteves, artista plástica mestre em Museologia, tem uma longa trajetória profissional, que envolve fotografia, gravura, objetos escultóricos e performance. Uma bagagem de 13 exposições individuais e participação em mais de 50 coletivas no Brasil e no exterior, propiciou à artista, que é museóloga do Museu Lasar Segall, o convite para apresentar a performance Corpo Comestível (Edible Body) nos Estados Unidos.

O poeta Fabio Weintraub* explica um pouco esta performance, que o visitante verá no Hood College, em Frederick, Maryland, nos EUA, em 17 de abril de 2007:

Pedaços de um corpo feminino moldados em chocolate e marzipã. Peitos, bocas, colo, púbis…, em tamanho reduzido ou natural, servidos sobre a mesa – um trabalho que atualiza o debate sobre as difíceis relações entre arte e consumo na contemporaneidade.

Outro ponto importante a ressaltar prende-se à recuperação de uma certa imagem do feminino num momento histórico em que as distinções de gênero se esbatem, em que o erotismo deriva para o espaço da transexualidade, do charme andrógino, do corpo-prótese e do gozo artificial. Assim, seja por tematizar o envelhecimento, seja por enfatizar a ‘potência nutriz’ da mulher, Rosa Esteves coloca novamente me cena uma certa figuração do feminino que a revolução sexual, com êxito notável, tratou de impugnar.

(mais…)

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por CARLA ALBUQUERQUE

Dia 20 de março de 2007, terça-feira, foi um dia tenso, muito tenso. O motivo da tensão felizmente não foi assalto, seqüestro, calor insuportável, trânsito caótico, mas sim algo nobre. Era uma tensão misturada com expectativa, vibração de boa sorte, orgulho e uma enorme vontade de estar lá.

Lá em Viena, Áustria, no Musikverein – o templo da música clássica – brilhava a nossa OSESP, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, acompanhada do magistral pianista Nelson Freire, solista convidado. Tocar no Musikverein (pronuncia-se “muzikvenrain”) é uma prova de fogo para qualquer orquestra. A apresentação da nossa OSESP foi magnífica, esplendorosa, mágica, sublime. Seu suingue contagiou e encantou a platéia que aplaudiu em pé e pediu bis. A nossa OSESP ganhou com louvor o merecido e definitivo passaporte para o panteão das melhores orquestras de todos os tempos!

Se você perdeu a apresentação ao vivo, na terça, não lamente. Você terá duas oportunidades para se emocionar neste fim de semana, na Cultura FM 103.3, no sábado dia 24, às 16h30 e no domingo, dia 25, às 12h.

OSESP

fotos: site da OSESP

Em entrevista à repórter Ana Domingues, da Rádio Cultura FM, após o concerto, um exultante John Neschling (regente e diretor artístico da OSESP) pontuou o merecido reconhecimento da orquestra e de seu trabalho:
“Maestro, o senhor esperava essa reação da platéia?”
“Ah, eu esperava porque eu confio nessa orquestra. Acho que quem não esperava era o público.”

PROGRAMA

Camargo GUARNIERI – Abertura Concertante. / Serguei RACHMANINOV – Concerto para piano e orquestra nº. 4 em sol menor, Op. 40. / Claude DEBUSSY – La Mer. / Alberto GINASTERA – Estância, Op. 8b.
Nelson Freire (piano).
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.
Regente: John Neschling

Bom concerto!

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Galeria de Camisinhas “Vintage”

Eleito pela revista Times um dos 50 melhores sites de 2005, o Museum of Online Museums, de Chicago, reúne desde intituições dedicadas a temas clássicos da arquitetura e da arte, até coleções de objetos do cotidiano.
Ao lado do Museu de Design de Zurique e do Smithsonian, você encontra a ousada Galeria de Camisinhas Vintage (de onde foram retiradas as fotos deste artigo), o Museu do Circo nos Países Baixos, o Museu Virtual do Absinto, onde há textos relevantes para download, entre tantas outras surpresas.
O site divide-se em:
1) The Museum Campus, com links para museus com espaço físico construído e seções atraentes na internet
2) The Permanent Collection, com links para exposições ligadas a design e propaganda
3) Galleries, Exhibition and Shows, uma lista de links que muda constantemente, trazendo indicações curiosas como as mencionadas no início do texto.
Divirta-se!

Galeria de Camisinhas “Vintage”

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