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Archive for the ‘Design’ Category

por ADRIANA BONNARD

Não, essa não é uma proposta de embalagem para jóias. Falo sobre lampwork, técnica que utiliza o vidro como matéria-prima, e o fogo para esculpi-la.

Lembram-se dos “cristais de murano” de Veneza, na Itália? Lá, sob hábeis mãos de artesãos, pedaços de vidro bruto adquirem a forma de qualquer sonho, de cavalinhos a delicados vasos. Em nossa Poços de Caldas, lojas de cristais também fazem sucesso, mas em menor escala. De qualquer forma, falamos da mesma coisa. O destaque do lampwork é o resultado final: contas com desenhos incríveis, usadas para formar bijuterias mais inusitadas ainda.

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A maioria dos muranos (na linguagem dos designers de bijoux, muranos são todas as contas feitas de vidro) é feita a partir de técnicas semelhantes; a diferença é que o lampwork resulta em um murano mais elaborado, mais complexo e mais composto.

Essa técnica requer muita prática e aprendizado quase que milenar, que vai desde saber aplicar a temperatura ideal ao vidro até como saber misturar as cores e criar a proporção das contas.

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No Brasil desconheço artesãos desta técnica. Acesso esse trabalho através de importadores e sites de artistas internacionais como http://www.lampwork.net, http://www.mjlampwork.com e http://www.cherylkumiski.com.

Nossa moda não usa em sua totalidade, ou em profusão, as propostas de lampwork desenhadas por esses artistas italianos, americanos ou londrinos. Vejo, outrossim, uma utilização criativa, porém mais discreta, que brinca com misturas de lampwork beads e couro, crochê e o que mais combinar.

Por que não trazer os cristais de murano para os pescoços, braços e orelhinhas brasileiras?

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É uma boa pergunta para a Ethos 2007, conferência internacional sobre sustentabilidade que começou hoje, no Dia dos Namorados, em São Paulo. Precisamos, sim, é estar mais enamorados pela cidade em que vivemos, e pelo próximo. Claro que parece chavão, mas difícil é colocar em prática.

No painel de discussões da Ethos 2007 estão dois assuntos diretamente associados à arte e ao design: a construção de cidades sustentáveis e a contruibuição de atividades culturais para o desenvolvimento sustentável.

No último tema, sob a moderação do todo-poderoso do SESC, Danilo dos Santos Miranda, resta saber se discussões como estas são relevantes para iniciativas que não têm, por diversos motivos, a magnitude, o poder de alcance e a verba do SESC.

Num mundo onde “obrigado” e “com licença” raramente integram o repertório das gerações mais novas, vale a pena conferir no portal Mercado Ético os resultados dessas discussões, em cuja contramão vem a produção incessante e crescente de bens de consumo e capital, que as empresas não hesitam em promover maciçamente através das agências de publicidade, num círculo vicioso e sempre maior de consumo desenfreado.

Afinal, o quão necessários são os inventos e bugigangas-conceito tecnológicas com que nos deparamos no dia-a-dia? Onde está a real necessidade de um telefone celular que, inclusive, faz ligações telefônicas? Será que é sempre preciso que se atinja um limite inquestionável, como o de agressão à natureza a que chegamos, para que então se adote um comportamento de conservação e manutenção?
Vejamos uma situação corriqueira: muitos edifícios residenciais não incluem a pintura e restauro periódico de suas fachadas como elementos de manutenção. É preciso que a aparência externa beire a destruição para que se tome uma atitude. Neste momento, já tardio, todos então torcem o nariz para o custo da reparação do que não se cuidou.

E outras milhares de historietas parecidas se repetem. A criação da necessidade de consumo é análoga. Bugigangas reinam absolutas, esgotam recursos naturais para sua fabricação, despertam desejos e mostram como nossa criatividade surpreendente é aplicada a questões de importância duvidosa.
Se você não se convenceu, acesse o blog Digital Drops e julgue a relevância de tantos gracejos e fetiches eletro-eletrônicos que ainda desconhecemos. É possível viver sem eles? Para mim, sim, como acredito que também seja para os adolescentes que abortaram o uso da internet sem objetivos concretos, como mostrou um artigo da Folhateen desta semana, “A internet encheu o saco”.

Fácil mesmo é falar de consumo responsável e sustentabilidade quando se trabalha a até meia hora a pé de casa e se opta por dirigir até a empresa, com ar condicionado ligado no máximo e falando ao celular. Aliás, se o Ministério da Saúde ainda não adverte, eu o faço: utilizar transporte público e caminhar faz bem para a sua saúde e a da cidade, e não mata também.

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Neste mês de maio o lançamento da revista britânica Plastique está na boca de (quase) todos os descolados de plantão. Não que seja nosso dever não ficar de fora, mas algo muito peculiar no site da revista me chamou a atenção: em seu espaço virtual “My Space”, do Google, figura ninguém menos que Pat McGrath.

Maquiadora britânica residente nos Estados Unidos, Pat criou o conceito dos looks para 10 temporadas de desfiles da Prada e Miu Miu, fez várias capas da revista i-D e, entre tantas outras conquistas, atualmente é a Color Cosmetics Creative Design Director da Procter & Gamble nos Estados Unidos. Lembremos que a Procter & Gamble produz os cosméticos MAX Factor.

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Eu que ainda não vi a revista e conheço apenas seu site (em construção), só pelo fato de ver Pat McGrath como uma dos “Plastique magazine’s friends“, aguardo ansioso a chegada de um exemplar até minhas mãos, para então ver com meus próprios olhos a “explosive fashion” de que trata a revista.

Será preciso muita ousadia e visão para sobrepujar suas conterrâneas i-D e Dazed & Confused. Talvez a Plastique venha também resgatar os órfãos da finada The Face. Numa de suas provocativas capas, uma vez trouxe um esqueleto ornado com acessórios cotadíssimos e uma peruca. Dentro da revista havia então um ensaio com esqueletos trajando roupas e acessórios de marcas famosas.

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A revista i-D também nunca deixou por menos. A edição out of the blue de maio de 2007, ou seja, em tese uma edição surpresa ou não esperada da revista, traz a vanguardista Björk num momento “fasion-print-woven-chaos”. A cantora e atriz aparece com maquiagem que lembra gravuras coloridíssimas, e está (re)vestida por camadas que lembram tramas de crochê e tricô, numa paradoxal “ensaiada desordem”.

O site ainda traz uma galeria das outras quatro capas que retrataram Björk, desde 1993, e destaca sua exposição itinerante, que esteve no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, em janeiro de 2006, durante a Fashion Week. Mas não se desanime: Björk não é a única estrela para a revista, pois a brasileira Luciana Curtis também já foi capa. A edição regular da revista chama-se, no mês de maio, “The White Trash Issue”, tem capa diferente e é de número 276.

A concorrência é brava mesmo! Quem não só folheou, mas também leu a revista Dazed & Confused já sabe de sua irreverência. A palavra é “maverick” mesmo, algo de vanguarda, desafiador e à frente de seu tempo. Há uns meses eu não folheava um exemplar, mas embasbacado mesmo fiquei com seu site. Seria mais justo dar-lhe o título de portal. A própria revista muito provavelmente já percebeu isso, tanto que o endereço não é “dazedmagazine.com”, e sim “www.dazeddigital.com”. Arte, moda, comportamento e cultura on-line com vários blogs e sub-blogs dentro de si. Um verdadeiro hub, uma central de moda e comportamento, cultura e estilo e seus desdobramentos. A capa da versão impressa não chega aos pés da capa do portal na internet, diga-se de passagem.

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Os britânicos saem na frente no quesito experimentação e vanguarda, mas os alemães são páreo duríssimo com sua revista Tush (pronuncia-se “tush” mesmo, não “tãsh”), publicada em Stuttgart. Meus recentes e ainda incipientes conhecimentos de maquiagem sussurram que talvez seja a única revista mundial dedicada integralmente à maquiagem de produção.

Um primor, um delírio estético em looks, fundos, cenários, olhos, bocas e peles sensacionais, incríveis mesmo. É uma dádiva, um manjar dos deuses para quem aprecia maquiagem, nem que seja só um pouquinho. Tive o prazer de folhear (e quase reverenciar) um exemplar de uma das edições da revista na casa da Silvana Gurgel, uma das circenses do Design Circus. A Tush havia chegado pelas mãos de sua amiga Mily Serebrenik, cujo trabalho em muito lembra o que está na revista. O próximo passo é eu aprender alemão para conseguir lê-la. As capas de todas as edições não refletem o deleite que é o conteúdo.

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i-D, Dazed & Confused, Plastique, Tush e a saudosa The Face. Se você não a conheceu, procure já um exemplar antigo que vale a pena. Pergunte a quem era fã.

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Bom design nem sempre é caro. Talvez a questão recaia muito mais sobre o quanto somos educados ou não a apreciar e valorizar um trabalho de criação, em qualquer campo de trabalho, quer seja design, moda, artes visuais, etc.

Muito provavelmente pagaríamos 300 ou 400 reais por um tênis ultra bacana glam fashion hype. Mas nossa mão seria tão aberta para investir o mesmo valor para pagar por um trabalho de criação de, digamos, um convite impresso e eletrônico criado especialmente para nossa festa de aniversário de 30 ou 40 anos?

Parece estar subentendida uma espécie de caráter supostamente efêmero em um convite impresso ou eletrônico, um cartão de visita e/ ou o brinde produzido para uma empresa. Esta efemeridade sucumbe ao fato de um artista não fazer propaganda agressiva e constante de seus trabalhos, incutindo na mente do observador uma necessidade criada e um ideal intangível — algo como “beba isto ou esfregue aquilo e tenha o abdômen que você nunca vai ter!” ou “use este par de tênis e ‘do it’ até mortal triplo!” (frisemos que eu também tenho um confortabilíssimo Nike no meu armário, e isto é tão somente um exemplo).

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Dessa forma, o dinheiro salta do bolso quase espontaneamente, como que por osmose. Mas se amedronta quando se trata de investir em algo que depende do seu trabalho diário, como um simples cartão de visita bem feito — de nada adianta ter o belo cartão se você não toca seu negócio. Mais fácil acreditar em tênis com asas, portanto. Com isso, colocamos no limbo a fronteira entre o que é útil e justo X frívolo e fútil.

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por ADRIANA BONNARD

CAFÉ e BIJOUX combinam?

A ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café), representa atualmente 500 empresas de torrefação e moagem de café em todo o território brasileiro. Seu propósito é promover o desenvolvimento da indústria cafeeira nacional, criando selos de qualidade, concursos e capacitação. Organiza também as estatísticas do setor.

abic

Em outubro de 2006 a empresa Interscience foi contratada para realizar pesquisa sobre os hábitos de consumo de café. Os objetivos da pesquisa, descobrir novos mercados e fortalecer o setor cafeeiro nacional e estimular o consumo.

Percebeu-se que o café é a segunda bebida mais consumida pela população brasileira, depois da água mineral; que os motivos que levam ao consumo de café são associados a dinamismo e sociabilidade (esquenta, levanta, liga e reúne — palavras apontadas na pesquisa); que as pessoas das classes A e B preferem consumir o café fora de casa; que a percepção de qualidade e diferenciais de experiências de consumo têm efeito determinante sobre o hábito de tomar café.

ipanema cafe

O Brasil possui 160 marcas de café e está posicionado no cenário mundial como um dos fornecedores de alta qualidade. Além disso, é responsável por 50% do consumo interno de todos os 57 países produtores. Todos esses fatos atraíram a chegada de algumas redes internacionais de cafeterias tidas como especiais, como a Starbucks, que não por acaso comercializa um tipo de café chamado Ipanema Bourbon, reconhecido por seu equilíbrio, corpo e textura.

Além deste movimento, redes nacionais se posicionam cada vez mais como cafeterias gourmet, ampliando o conceito de servir café. Seus departamentos de

marketing desenvolvem conceitos, produtos e serviços associados à cafeteria e ao que ela representa para seus freqüentadores. Conseqüentemente, perdura-se o efeito da marca, que se prolonga para muito além da experiência vivida na cafeteria. Assim temos os cartões de fidelidade, as músicas tocadas na loja, livros sobre a história da empresa, canecas, os próprios equipamento para preparo da bebida e o que mais a criatividade permitir.

E o que este preâmbulo de economia e marketing do café faz neste artigo? (mais…)

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Calice

Como tornar seu trabalho conhecido? Como ultrapassar a fronteira da criação restrita ao escritório e a propósitos comerciais? Os concursos de design gráfico são uma grande oportunidade para isto.

No Brasil, o único evento que reúne sistematicamente um quadro representativo da produção nesta área é a Bienal de Design Gráfico, que premia os melhores trabalhos dentro dos mais diversos segmentos correlatos, como design de tipos, de marcas e identidade visual, publicações, cartazes, design digital, entre outros. A última edição foi em 2006.

Entretanto, inexiste por aqui a cultura de educar e formar o olhar do indivíduo em termos artísticos e estéticos, desde a mais tenra idade. Talvez seja por isso que são pouquíssimos os concursos brasileiros de Design Gráfico, principalmente em cartazismo.

Isto não é motivo para desânimo. Na Ásia e na Europa há todos os anos incontáveis oportunidades de participação em concursos de caráter predominantemente social, educacional e de auto, eco e hetero-formação do indivíduo, e outros de caráter comercial e publicitário. Entre os que mais me chamam a atenção estão Shrinkage, na Suíça, Francisco Mantecón, na Espanha, Good50x70, na Itália, Cow Design Illustration, na Ucrânia, e Shift, no Japão, para mencionar apenas alguns. (mais…)

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por ADRIANA BONNARD

Bead Glass

Nem uma coisa nem outra. Apenas peças de arte.

Há uma técnica bastante utilizada nos Estados Unidos para confeccionar acessórios e outros trabalhos manuais, chamada beading, ou beadwork.

Consiste no entrelaçamento de contas (beads) formando peças inteiras ou apenas alguns detalhes que comporão uma peça maior. No entanto, existem designers que se especializaram unicamente nessa técnica, aplicando suas próprias interpretações e variações, resultando em peças dignas de galerias de arte.

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