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Archive for the ‘Filmes’ Category

“A história do rosto é também a história do controle da expressão” e, assim, a cultura contemporânea é produtora de “um silêncio do corpo e das caras”. Na era da comunicação cada vez mais visual e instantânea que exercitamos, eis aqui uma observação mais que pertinente, citada por Massimo Canevacci em “Antropologia da Comunicação Visual” (p. 131). Os autores são, entretanto, Claudine Courtine e Jean-Jacques Haroche, em “História do Rosto”(p. 20).

São eles também que apontam para a contemporaneidade como o “(…) declínio da expressividade em público. Essa é causa do conseqüente silêncio do rosto. E, assim, o homem sem rosto é o resultado de um tipo de sociedade que não teria mais vontade de expressar emoções, mas somente de controlá-las”(Canevacci, p. 130). Concluindo, “toda a cultura visual gira ao redor do corpo. E o corpo é o rosto por excelência. O rosto é o grande concentrado do corpo inteiro, ao qual deve-se dar a maior ênfase” (id., p. 131).

gericault

Theodore Géricault, Têtes coupées, 1818-19, Museu Nacional de Estocolmo

Depois de ler o capítulo “Cabeças cortadas”, de “Antropologia da Comunicação Visual”, saltaram aos meus olhos a lógica do funcionamento da indústria cosmética, com sua bandeira de melhora constante da expressão, e a dificuldade crônica em expressar-se, donde brotam gerundismos e outros vícios de linguagem, mesmo no uso do mais simples português instrumental. Criam-se, então, falsos neologismos para suprir tais deficiências. É o olhar sem ver. Como o “Ver e não ver” de Oliver Sacks, em “Um Antropólogo em Marte”.

Falamos aqui de diferentes níveis de realidade e percepção. A diferença que acrescenta, é benfazeja, e não limitadora. A incompreensão disto pode gerar conflitos e danos irreversíveis. É o que mostra o relato de um caso clínico por Oliver Sacks, que tanto me atraiu. Um homem que perdeu a visão adaptou-se a outras formas de apreensão da realidade, e assim sobrevive satisfatoriamente. Seu envolvimento amoroso com a mulher que o ama leva-o a concordar submeter-se a sucessivas cirurgias para recuperação da visão, tal qual julgamos seja a situação ideal. Findo o calvário médico-hospitalar, este homem recobra a visão, mas não consegue usá-la. Surgem daí depressão, obesidade e sérias complicações de saúde. (mais…)

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Azur e Asmar

Azur et Asmar

Seis anos. Esse é o tempo que Michel Ocelot, diretor de As aventuras de Azur e Azmar, avalia que um projeto como esse exige. O resultado atesta o esforço e a dedicação: o filme é um “colírio estético” para os olhos.

A preocupação com o detalhe envolve desde uma simples flor dentre as muitas que compõem o cenário da infância dos protagonistas, a até desenhos elaborados de uma igreja bizantina com o Cristo de Santa Sofia. Um caleidoscópio de paisagens, arabescos e grafismos inspirados na cultura persa e da África Setentrional, particularmente a região do Magreb, onde hoje se encontram Marrocos, Argélia e Tunísia.

“Uma celebração da civilização islâmica da Idade Média”. Eis a síntese de Ocelot, em entrevista concedida ao jornal francês Libération.

Da região da Andaluzia à Turquia, e um pequeno desvio para a Pérsia, o desfecho do filme reserva ao espectador cenário inspirado nas mesquitas de Istambul. Porém, o autor deixou-se também influenciar por conterrâneos europeus: os pintores Van Eyck e Jean Fouquet e seus temas, presentes em determinados traços do desenho animado.

Asmar

História da arte e da cultura à parte, o filme é uma fábula sobre tolerância e diversidade, sem toques moralistas. Dois garotos são criados juntos, como irmãos, na Europa medieval: AZUR e ASMAR. O primeiro, loiro de olhos azuis e filho de um senhor feudal; o segundo, moreno com traços marroquinos, filho de sangue de Jénane, que os educa. (mais…)

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Preaching to the Perverted

Preaching to the Perverted (literalmente, “Pregando aos Pervertidos”) ou “Clube do Fetiche”, foi exibido no circuito alternativo em 1998, no Espaço Unibanco da Rua Augusta, em sessões concorridíssimas. Foi quando conheci o filme, que trouxe à tona o mundo dos clubes fetichistas e sado-masoquistas de Londres, de forma cômica, inusitada e, claro, satirizando alguns de seus patrocinadores, figuras influentes da sociedade britânica.

A chamada adverte: a film about lust, law and latex (onde “lust” significa “luxúria”). As trocas do figurino em borracha, vinil e couro são constantes, e a trilha sonora hipnotiza o espectador, além de balizar as performances da club queen, uma espécie de Barbarella do couro, vinil e similares.
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Lançado em DVD no Brasil em 07 de março deste ano (segundo o site http://www.dvdworld.com.br), este filme traz de volta os produtores de “Garotas do Calendário”. Enquanto neste último crédulas senhoras inglesas se despem para produzir um calendário para fins sociais (e atraem consigo os holofotes da mídia), no primeiro a redenção de um patrão relativamente homofóbico e pouco experiente na fabricação de calçados, dá-se com o novo direcionamento de sua fábrica à beira da falência: botas para drag queens. A idéia nasce depois de um encontro fortuito com uma drag queen indefesa, nas ruas de Londres.
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