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Archive for the ‘Moda & Comportamento’ Category

por ADRIANA BONNARD

Não, essa não é uma proposta de embalagem para jóias. Falo sobre lampwork, técnica que utiliza o vidro como matéria-prima, e o fogo para esculpi-la.

Lembram-se dos “cristais de murano” de Veneza, na Itália? Lá, sob hábeis mãos de artesãos, pedaços de vidro bruto adquirem a forma de qualquer sonho, de cavalinhos a delicados vasos. Em nossa Poços de Caldas, lojas de cristais também fazem sucesso, mas em menor escala. De qualquer forma, falamos da mesma coisa. O destaque do lampwork é o resultado final: contas com desenhos incríveis, usadas para formar bijuterias mais inusitadas ainda.

lamp bead1

A maioria dos muranos (na linguagem dos designers de bijoux, muranos são todas as contas feitas de vidro) é feita a partir de técnicas semelhantes; a diferença é que o lampwork resulta em um murano mais elaborado, mais complexo e mais composto.

Essa técnica requer muita prática e aprendizado quase que milenar, que vai desde saber aplicar a temperatura ideal ao vidro até como saber misturar as cores e criar a proporção das contas.

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No Brasil desconheço artesãos desta técnica. Acesso esse trabalho através de importadores e sites de artistas internacionais como http://www.lampwork.net, http://www.mjlampwork.com e http://www.cherylkumiski.com.

Nossa moda não usa em sua totalidade, ou em profusão, as propostas de lampwork desenhadas por esses artistas italianos, americanos ou londrinos. Vejo, outrossim, uma utilização criativa, porém mais discreta, que brinca com misturas de lampwork beads e couro, crochê e o que mais combinar.

Por que não trazer os cristais de murano para os pescoços, braços e orelhinhas brasileiras?

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por ADRIANA BONNARD

A Fire Mountain Gems and Beads é uma destacada empresa norte-americana fortemente posicionada como fornecedora de matéria prima para o mundo dos designers de bijuterias. Se estivesse no Brasil, definitivamente teria uma lojinha nos arredores da rua 25 de Março.

Numa de suas ações que influenciam o mercado de acessórios para moda, a empresa lança uma cartela de cores para cada temporada. Compartilho aqui a correspondente ao outono-inverno de 2008 (no hemisfério norte), que no Brasil equivale aos meses de setembro até fevereiro do ano que vem.

Colar azul

É importante notar a predominância dos azuis em suas variações até o cinza, algo presente em muitas das coleções de moda da última SPFW (nas fotos abaixo, dois exemplos da Maria Bonita). Convém lembrarmos que o casamento perfeito entre as cartelas de cores publicadas globalmente a cada grupo de estações, nem sempre se manifesta em todos os segmentos de produção. Mesmo assim, funciona como pista para desvendarmos um pouco das cores das matérias-primas que estarão na linha de produção da indústria dos acessórios de moda.

maria bonita

Os tons mais terrosos são quase uma obrigação no outono, mas na proposta da cartela de cores, há variações róseas (nas fotos abaixo, dois exemplos da Second Floor) há algum tempo ausentes em nossa moda, caso específico da cor fire cracker.

second floor

As combinações entre as cores da cartela também valem. No entanto, ela não revela quais serão as texturas em voga: florais, grafismos, geometrismos ou qualquer outra proposta costumam ser trabalho da indústria têxtil.

Agora é esperar a segunda quinzena de Agosto e conferir in loco os materiais disponíveis, e confirmar ou não essa tendência de cores.

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Se não estamos prontos para ousar por inteiro, podemos começar por etapas. Há que se questionar o quão confortáveis nos sentiríamos vestindo o que as passarelas lançam. Importante, entretanto, é abrir-se ao novo, mesmo que aos poucos. E desenvolver pela moda um “amor aos pedaços” (nome sabiamente usado pela doceira paulistana de mesmo nome).

Pedaços instigantes estão nos acessórios. Cintos, bolsas, sapatos, bijuterias, jóias… peças que podem tornar roupas simples produções inspiradas, ou equívocos imperdoáveis aos olhos dos mais entendidos. Construir repertório no assunto pode evitar gafes e, de quebra, aumentar nossa cultura em design e arte. Afinal, a moda bebe direto de ambas, e as coleções dos museus indicados é reflexo irrefutável disso.

Há também artistas que ultrapassam qualquer parâmetro, e conjugam moda à cultura contemporânea e vice-versa. Exemplos como o MOMU, da Bélgica, trazem uma amostra de combinações inusitadas e surpreendentes.

HOLANDA

Amsterdã
MUSEUM OF BAGS AND PURSES

 

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O Tassenmuseum, ou Museu das Bolsas e Carteiras, ocupa um casarão do século XVIII em Amsterdã, e traz em sua coleção exemplares raros, desde 1500 a até 2004. Designers desconhecidos disputam espaço com nomes tarimbados da indústria da moda. Boa parte do que se vê no museu está no livro “Bags”, à venda no local. Deleite-se com sua compilação com mais de 500 fotos coloridas das peças da coleção

Para designers de talento, o museu ainda oferece uma oportunidade: possibilidades de montagem de exposições com a coleção dos criadores. E, para os abastados fanáticos por bolsas, futuras exposições cujas peças estarão à venda. Coloque o site nos seus favoritos e aguarde as datas!

 

BÉLGICA

Antuérpia
MOMU – MODE MUSEUM

Momu


Uma parceria com o Flanders Fashion Institute (FFI), que promove os estilistas belgas internacionalmente. Sua coleção traz itens desde o século XVI, mas a ênfase é no XIX. Além disso, organiza exposições de estilistas belgas e de outras nacionalidades, como Yohji Yamamoto e artistas russos. A biblioteca é uma das melhores fontes de consulta sobre moda belga e internacional, com seus 15 mil volumes. Aliás, o FFI traz em sua página de entrada links para o MOMU e para a revista “A Magazine”, publicação muito atraente para fashionistas e artistas de vanguarda. Afinal, nela já figuraram nomes como Nick Knight (que já fez capas de CDs para o New Order, entre tantos outros trabalhos), Yohji Yamamoto e um dos estilistas mais badalados de Tóquio, Jun Takahashi.

Bruxelas
MUSEUM OF COSTUME AND LACE

 

lace museum

Com um acervo de peças dos séculos XVII ao XIX, este museu dedica-se princialmente à exposições dos borbados beldas e das roupas dos burgueses deste período. Na coleção também figuram peças francesas e italianas.

CANADÁ

Toronto
THE BATA SHOE MUSEUM

 

 

bata shoe

4.500 anos de história são representados por 10.000 pares de sapatos, além de uma coleção de calçados de celebridades do século XX. Um prédio em arquitetura contemporânea foi construído para abrigar essas relíquias, e aberto ao público em 1995. A fundadora do museu, Sonja Bata, vislumbrava a criação de um espaço como o atual desde a década de 40, e a fundação que o administra nasceu em 1979.
Tudo isso é muito mais sedutor para uma visita in loco. Se, entretanto, o Canadá não integra seus próximos roteiros de viagem, não desamine: o museu criou uma fantástica exposição on-line. Trata-se de um trabalho árduo de digitalização das peças e criação de recursos didáticos para professores interessados em utilizar a história dos sapatos em sala de aula, como gancho ou complemento para outras disciplinas.

 

TEXTILE MUSEUM OF CANADA

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Mais de 12.000 peças representam 2.000 anos de história através de tecidos e tapeçaria. Entre as exposições em cartaz, os simbolismos do azul nos tecidos e tecidos feitos de pele de peixe. Como no Bata Shoe Museum, há imperdíveis exposições on-line. Entre elas, vale muito a pena reservar um tempo para a de tapeçaria e a exposição Cloth and Clay (“tecido e barro”), uma colaboração com o Gardiner Museum of Ceramic Art, celebrando 2.000 anos de cultura mexicana, da América Central e do Sul.

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Yves Saint Laurent, Dior, Jean Paul Gaultier, Christian Lacroix, John Galliano, Kylie Minogue e Nan Kempner. Todos já ouviram falar de pelo menos dois destes nomes.

Se você já conhece e pretende conhecer mais profundamente, qual sua motivação para tal: a criatividade, a trajetória profissional e a competência de cada nome ou o imaginário icônico-simbólico que carregam? O desejo de nos sentirmos especiais e nos destacarmos da multidão nos guia para as migalhas desse universo mais possivelmente acessíveis para nosso status de membros da massa, da turba consumista com um padrão de pretenso refinamento médio burguês: os perfumes.

Latinos atavicamente conservadores e hipocritamente libertários que somos, não nos atrevemos a exibir nossos gostos mais peculiares e espontâneos em roupas menos convencionais (onde então caberiam as criações de alguns dos nomes citados no início deste artigo), temendo o olhar censor do outro.

Entretanto, ficamos ociosamente satisfeitos em borrifar em nossa pele o imaginário da fragrância daquela marca e, num efeito de corruptela, embarcamos inebriados na propina da venda ao balcão, num mundo de atitude através da moda, do visagismo, que admiramos embasbacados, porém jamais em público.

Para não ficarmos limitados a uma “viagem à roda do meu quarto” (em alusão à narrativa de Xaiver de Maistre, contada a partir dos objetos de um quarto) e admitirmos que vivenciar determinados gostos de moda em público é salutar, existem “cômodos” muito maiores dedicados ao assunto. Vários disponibilizam imagens em galerias virtuais e dedicam exposições às personalidades antes mencionadas. Entender como gostamos de nos mostrar em público e como os outros o fazem é um caminho para se conhecer melhor e, para isso, uma visita in loco a essas exposições é sempre mais que bem-vinda. Na falta “famoso tempo”, a visita virtual é um bom quebra-galho, mas requer considerável porção do nosso tempo convencional, pois as atrações e imagens são incontáveis e irresistivelmente sedutoras.

FRANÇA

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Musée de la Mode et du Textile, Paris

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Aberto em 1986 no Pavilion de Marsan, no Louvre, exibe até 23 de setembro figurinos criados por Jean Paul Gaultier para 18 espetáculos de balé coreografados por Régine Chopinot, de 1983 a 1994.

Modelos de Gaultier em alta costura também figuram na mostra. Mas este é apenas um dos motivos para visitar o museu. Sua coleção, com mais de 81.000 peças, entre amostras de tecido, acessórios e trajes, é comparável a outras poucas instituições do mesmo calibre, como o Costume Institute, em Nova York, e o Victoria & Albert Museum, em Londres.

 

 

 

Centre National du Costume de Scène, Paris

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Sob a presidência de Christian Lacroix, inaugura em 3 de junho uma exposição homônima, um pedacinho do seu acervo de mais de 7.100 trajes e adereços advindos dos acervos da Biblioteca Nacional, da Ópera de Paris e da Comédie-Française. A exposição traz 150 trajes de balés, óperas e peças de teatro, de 1986 a 2006.

 

 

Musée des Tissus et des Arts Decoratifs, Lyon
Patrocinado pela Câmara de Comércio de Lyon, este museu tem coleções importantes de tecidos que abrangem desde os primeiros cristãos egípcios a ornamentos eclesiásticos do Ocidente, peças bizantinas e sedas persas. As coleções mais recentes, como do século XIX em diante, têm trabalhos de Sonia Delaunay e do pintor e artesão Raoul Dufy (cujas pinturas já estiveram em exposição no MAM de São Paulo).

Musée Galliera de la Mode de Paris
Inaugurado em 1977, tem cerca de 100.000 peças e acessórios, além de 50.000 estampas e fotografias. Seu acervo de trajes, que remonta ao século XVIII, está organizado por tipo de indumentária e ordem alfabética das grifes, que apareceram nos séculos posteriores. A relação com as demais artes criativas e visuais é evidente em exposições que retrataram, por exemplo, acessórios utilizados por Marlène Dietrich no cinema. Os textos das coleções são bastante didáticos para qualquer interessado em moda (como, por exemplo, o que discorre sobre moda infantil), e funcionam também como referência para estudos.

Fondation Pièrre Berger – Yves Saint Laurent, Paris
Aberta à visitação pública em março de 2004, a fundação tem por objetivo preservar 5.000 roupas de alta costura da grife, além de 15.000 acessórios, desenhos e outros objetos. A exposição atual retrata as roupas usadas por Nan Kempner, uma das primeiras fashionistas de que se tem notícia. Kempner, que faleceu em 2005, foi um verdadeiro manequim ambulante para a alta costura, principalmente a partir da década de 50, quando adquiriu seu primeiro modelito da Dior. Em sua carreira, chegou a ser correspondente para a Vogue Francesa, editora de moda da Harper’s Bazaar e representante internacional da Christie’s.

Musée Christian Dior, Granville
O que dizer da maison cuja criação há anos brilha nas mãos de John Galliano? Visitar este museu é conhecer um pouco da história da marca e seu criador.

 

ESTADOS UNIDOS

The Metropolitan Museum of Art, Nova York

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Abriga o Costume Institute e o Antonio Ratti Textile Center, ambos fontes de referência para estudos de moda e tecelagem. Até março de 2007 homenageou também Nan Kempner, com uma exposição organizada pelo Costume Institute, que atualmente exibe boa parte das criações de Paul Poiret, que se auto-entitulava o “rei da moda”. Uma das idéias mais bacanas do portal é permitir que os internautas construam sua própria galeria de imagens das coleções on-line e um calendário de eventos personalizado, na seção My Met Museum. A foto abaixo mostra vestido em seda do século XIX, do acervo do Costume Institute.

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The Black Fashion Museum, Washington D.C.

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Fundado em 1979, está com seu site em fase de atualização. Com uma exposição itinerante, aborda a moda usada por negros no período de 1800 a 2000.

Tirocchi Dressmakers Project, Providence, Rhode Island

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Trata-se de um projeto-exposição da Rhode Island School of Design, RISD, que resgatou o acervo da família Tirocchi, de imigrantes italianos, que fabricavam vestidos para a alta sociedade norte-americana, numa oficina de alta costura que funcionou de 1915 a 1947, na cidade de Providence. Não atinge a magnitude das coleções de grandes museus, mas provê curiosos e interessados com uma amostragem significativa de uma das primeiras grifes nos Estados Unidos, cujas criações tinham fortes ecos europeus. Na foto acima, peças de 1927 e 1930, mostrando respectivamente traços cubitas e neoclassicistas.

 

REINO UNIDO

Victoria & Albert Museum, Londres
Sua coleção de tecidos cobre um período de mais de 2.000 anos. Oferece no portal até uma ferramenta para que o internauta desenhe sua própria padronagem. Sua seção de moda e joalheria traz exposições on-line incríveis, sem falar nas atuais, onde figura uma dedicada a Kylie Minogue, cuja indumentária para shows inclui designers como Jimmy Choo, e outra chamada New York Fashion Now, que aborda os estilistas que criaram suas próprias marcas no período de 1999 a 2004. Nessa exposição, você pode compartilhar sua fotografia ou crônica de moda vivida em Nova York. Uma outra dica é a coleção on-line de moda e tecidos dos anos 60, de encher os olhos. Veja algumas fotos a seguir.

vam textiles

vam 60s

Fora do eixo Londres-Paris e longe dos Estados Unidos há outros museus dignos de nota. Aguarde o próximo artigo para indicações no Canadá e Bélgica!

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iconique

Fashionista, “fashionvista” ou revista fashion?

Quando parece que todos os layouts, fotos, produções e grafismos possíveis já foram inventados, emergem dum crepúsculo plúmbeo os visionários. Em seu carro alegórico desfilam sites como a da revista on-line holandesa ICONIQUE. Se a revista Tush — de que falei no artigo anterior — falasse, ela seria a ICONIQUE, como seriam a evolução da Vogue America e Vogue Britânica (já que a Vogue Itália, diversamente delas, traz ensaios de produção de moda e maquiagem genuinamente atrevidos).

A ICONIQUE fundiu com sucesso o ângulo clássico meio blasé e tradicionalista das Vogues mais caretas com a experimentação absolutamente glamorosa da Tush e da Vogue Itália, utilizando recursos de programação Flash não como virtuosismo, mas como ferramenta para o luxo. By the way, pure luxury! Posh, babe! Quando esta revista-ícone de moda, beleza, artes digitais e design cristalizar seus elementos de luxo numa estrutura um pouco mais clara, universalmente decifrável (nos seus pausados e devidos estágios, para não perder sua aura de mistério, surpresa e “re-velação” que circunda cada artigo) e cogniscível, vai virar símbolo no meio de moda e comportamento. Os semióticos que façam sua apreciação, muito bem-vinda para este tipo de “publicação-empreitada” on-line.

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No mesmo carro alegórico, mas um degrau abaixo, vem a ZOOZOOM, que se intitula “the original online glossy”. Resta saber a que “original” se refere: se pioneira, primeira, ou inventiva e, de certa forma, uma meteorologista de moda, beleza e cultura. Sim para o conteúdo, que impressiona, não para a forma.

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No quesito estrutura visual e navegação, a on-line glossy é padrão, não passa de uma cidadã comum. O conteúdo, que traz ensaios fotográficos incríveis e até perturbadores, é como o gloss por cima de um batom simples, a transformar em diamante os lábios (não tão) carnudos de uma modelo mediana. Sim, vale muitíssimo a pena, mas prepare-se para aparições chatas dos anunciantes, como acontece no site da Vogue America, especialmente nos slide shows dos desfiles das últimas temporadas internacionais.

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Menos ambiciosa e minimalista, a nova-iorquina PAPIER DOLL disputa os olhares com a Zoozoom. A edição de maio deste ano comemora dois anos de uma revista digital de moda, que em 2006 fez a melhor cobertura dos roteiros e itens de compra em moda e compras on-line, segundo a revista Forbes. Como é de se esperar, há ensaios fotográficos e artigos especializados, mas o blog da Papier é o que mais atrai a leitura, com sua organização clara e artigos sucintos, com linhas essenciais sobre cada artigo de moda, beleza e cosméticos.

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E, para relaxar, fama, sexo e estilo: a britânica PHAMOUS 69 e a americana RARE DAILY. Um phamous phallus digital com inspiração Studio 54 (em tempo: assista ao filme homônimo) no layout e nos artigos. E um guia masculino de cultura, moda, gastronomia e vida noturna em Nova York e Los Angeles, para quem raramente verifica o extrato da conta corrente ou dos cartões de crédito.

A PHAMOUS 69 esclarece: é uma abordagem moderna para a conhecida Playboy. Vou além: é uma abordagem mais divertida, mais heterogênea e, à exceção de alguns artigos de colaboradores e convidados da Playboy, com textos mais elaborados, gostosos de ler e abertos à diversidade, isso sim. Como se não bastasse, regados a “lux-porn images”, o máximo!

phamous69

É pros machos divertidos que urram no momento do gol, também tocam violino e curtem passar um dia num spa de beleza, não para exercitar sua metrossexualidade, mas para escrever crônicas. E, claro, olhar de tempos em tempos as massagistas e terapeutas gostosas e solícitas.

RARE DAILY são como desenvolvimentos cuidadosos e ampliações meticulosas do programa Contemporâneo, do GNT. Destaque para o conteúdo, pois a identidade visual é diáfana, pouco convincente, se é que existe alguma. Poderia ser qualquer coisa, inclusive o que atualmente é. Mesmo assim, dou a mão à palmatória: com algum dinheiro poupado, ainda faço os maravilhosos roteiros propostos.

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Neste mês de maio o lançamento da revista britânica Plastique está na boca de (quase) todos os descolados de plantão. Não que seja nosso dever não ficar de fora, mas algo muito peculiar no site da revista me chamou a atenção: em seu espaço virtual “My Space”, do Google, figura ninguém menos que Pat McGrath.

Maquiadora britânica residente nos Estados Unidos, Pat criou o conceito dos looks para 10 temporadas de desfiles da Prada e Miu Miu, fez várias capas da revista i-D e, entre tantas outras conquistas, atualmente é a Color Cosmetics Creative Design Director da Procter & Gamble nos Estados Unidos. Lembremos que a Procter & Gamble produz os cosméticos MAX Factor.

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Eu que ainda não vi a revista e conheço apenas seu site (em construção), só pelo fato de ver Pat McGrath como uma dos “Plastique magazine’s friends“, aguardo ansioso a chegada de um exemplar até minhas mãos, para então ver com meus próprios olhos a “explosive fashion” de que trata a revista.

Será preciso muita ousadia e visão para sobrepujar suas conterrâneas i-D e Dazed & Confused. Talvez a Plastique venha também resgatar os órfãos da finada The Face. Numa de suas provocativas capas, uma vez trouxe um esqueleto ornado com acessórios cotadíssimos e uma peruca. Dentro da revista havia então um ensaio com esqueletos trajando roupas e acessórios de marcas famosas.

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A revista i-D também nunca deixou por menos. A edição out of the blue de maio de 2007, ou seja, em tese uma edição surpresa ou não esperada da revista, traz a vanguardista Björk num momento “fasion-print-woven-chaos”. A cantora e atriz aparece com maquiagem que lembra gravuras coloridíssimas, e está (re)vestida por camadas que lembram tramas de crochê e tricô, numa paradoxal “ensaiada desordem”.

O site ainda traz uma galeria das outras quatro capas que retrataram Björk, desde 1993, e destaca sua exposição itinerante, que esteve no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, em janeiro de 2006, durante a Fashion Week. Mas não se desanime: Björk não é a única estrela para a revista, pois a brasileira Luciana Curtis também já foi capa. A edição regular da revista chama-se, no mês de maio, “The White Trash Issue”, tem capa diferente e é de número 276.

A concorrência é brava mesmo! Quem não só folheou, mas também leu a revista Dazed & Confused já sabe de sua irreverência. A palavra é “maverick” mesmo, algo de vanguarda, desafiador e à frente de seu tempo. Há uns meses eu não folheava um exemplar, mas embasbacado mesmo fiquei com seu site. Seria mais justo dar-lhe o título de portal. A própria revista muito provavelmente já percebeu isso, tanto que o endereço não é “dazedmagazine.com”, e sim “www.dazeddigital.com”. Arte, moda, comportamento e cultura on-line com vários blogs e sub-blogs dentro de si. Um verdadeiro hub, uma central de moda e comportamento, cultura e estilo e seus desdobramentos. A capa da versão impressa não chega aos pés da capa do portal na internet, diga-se de passagem.

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Os britânicos saem na frente no quesito experimentação e vanguarda, mas os alemães são páreo duríssimo com sua revista Tush (pronuncia-se “tush” mesmo, não “tãsh”), publicada em Stuttgart. Meus recentes e ainda incipientes conhecimentos de maquiagem sussurram que talvez seja a única revista mundial dedicada integralmente à maquiagem de produção.

Um primor, um delírio estético em looks, fundos, cenários, olhos, bocas e peles sensacionais, incríveis mesmo. É uma dádiva, um manjar dos deuses para quem aprecia maquiagem, nem que seja só um pouquinho. Tive o prazer de folhear (e quase reverenciar) um exemplar de uma das edições da revista na casa da Silvana Gurgel, uma das circenses do Design Circus. A Tush havia chegado pelas mãos de sua amiga Mily Serebrenik, cujo trabalho em muito lembra o que está na revista. O próximo passo é eu aprender alemão para conseguir lê-la. As capas de todas as edições não refletem o deleite que é o conteúdo.

tush

i-D, Dazed & Confused, Plastique, Tush e a saudosa The Face. Se você não a conheceu, procure já um exemplar antigo que vale a pena. Pergunte a quem era fã.

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ENTREVISTA

Poucos são os modelos que atingem a casa do milhão de dólares. O glamour continua na foto final, acabada, cristalizada, e manipulada pelo Photoshop. O processo que o antecede, como se sabe, é árduo. E neste ponto nos perguntamos: como é a rotina de uma modelo?

Excetuando-se as já posicionadas no métier, é absolutamente aborrecida, como descreve nossa dupla cool da agência Lumière, Luiz Arruda (booker) e Magda Monteiro (gerente financeira). Em muitos momentos pode ser até maçante. Ora, eis os porquês: meninas e meninos em idade escolar, que precisam estudar, malhar, ir ao dentista, aprender uma segunda língua, interpretação (para atuarem em filmes publicitários, inicialmente), etc. O trabalho, depende de variações sazonais do mercado. No ano passado, com a Copa, o mercado ficou muito direcionado para esportes. Foi um ano um pouco mais difícil. Guardadas as devidas proporções, o Pan deste ano deve então ter suas influências, no prognóstico da Lumière.

A maioria dos contratos de trabalho é fechada depois do carnaval, estendendo-se até novembro. Ou seja, dezembro, janeiro e fevereiro, à exceção do São Paulo Fashion Week e Fashion Rio, são meses de pouca movimentação. Há casos em que a agência aconselha as modelos a voltarem para a casa dos pais em sua cidade natal, para então retornarem quando o mercado começar a se aquecer novamente.

Mas há rotinas diferentes para as mais cotadas. (mais…)

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